Encarei-te durante tempo demais, eu acho. Vi seus olhos mudarem de cor, seu sorriso de canto aparecer, - as covinhas me piscarem suavemente. Sempre gostei das tuas covinhas, rapaz, são bonitas; teus lábios vermelhos também, até mesmo teu nariz turvo. Sempre gostei de teus dedos compridos, mais grossos que os meus, mas que cabem de um modo grotesco em meio a minhas dobras de mão morena. “Chá ou café?”, tu não gosta de nenhum, vamos logo, vamos logo, te preencho uma taça de rum. Colorizaremos o céu preto e branco, que tá nublado desde o começo da semana. Com suas covinhas, garoto, e esse seu cabelo cor de sujo, te darei um tiro de serpentina. Vamos logo, vamos logo, que eu e você somos dos olhos a retina. Não que faça sentido, - eu nunca fiz nenhum. Gosto da bagunça, tu da organização, gosto de amores breves, tu da eternização. Eu te vi há muito, te reparei e aparei. Sei lá qual motivo têm, mas gosto de você que nem trilho gosta de trem., Gabbi Fernanda '-'